sexta-feira, 9 de outubro de 2009

I amsterdam

Metro. Sá Carneiro. Eindhoven. Autocarro com máquina de bilhetes marada. Comboio com máquina de bilhetes que só aceita cartões Maestro. "Perdi o bilhete!". Amsterdam! MacDonalds. Hotel Ben com muitaaaaas escadas. Red Light District com muitooooos Coffee Shops, “montras”, pubs e sex shops. Bar "Babes & Beer", canecas de 0,5L e "Last call we'll close in 15 minutes!" Beber de golada. Mais um passeio. Hotel Ben. Dormir. Passeio até Anne Frank Huis. Fila enorme mas que andava tão depressa que até corremos. Pequena depressão. Passeio pelas ruas de Amsterdão e mercado de queijos e comida biológica. Restaurante italiano. Mais passeio. Hash Museum, "Vou chorar o dinheiro", com direito a Hemp Gallery e "Perdi o bilhete!". Chuva. Stoned's Coffee Shop. Weeeeeee... Vasco: "Quero dormir, só meia horita". 2 horas depois jantar no Red Light, comida típica holandesa! Passeio de noite até praças cheias de esplanadas, filas enormes para discotecas e Hard Rock (entretanto fechado). Hotel Ben. Dormir. Réplica de barco antigo holandês. Nemo (cheio de criançada!). Rembrandt Museum & Huis. I amsterdam. Museu Van Gogh. Hard Rock (entretanto aberto). Gift shop e T-shirts (de Amsterdão, não do Hard Rock). De volta ao Red Light. "Come in the show's starting!". Steakhouse (ou StickHouse) com Spared Ribs e Lambrusco. Passeio à procura de pub. Smallest Pub in Town. Passeio à procura de pub. Player's Pub. "I got a feeling!". Hotel Ben. Dormir. Boatbus por alguns dos 1000 canais com Vasco a dormir "A gaja pôs-se a falar em holandês e francês, deu-me o sono!". Gift Shop. MacDonald's. Condomerie. Oporto Pub. Dardos e Photoplay. Centraal Station com bilhetes já pagos a dinheiro (mas 50 cêntimos mais caros). Eindhoven. Autocarro. Aeroporto. Fila enorme com holandeses a tentar passar a frente e tugas a amotinarem-se. Sá Carneiro.

E fica o relato de uma viagem a Amsterdão que recomendo. Claro que não vão ter direito aos muitos momentos divertidos que tive e principalmente à companhia, mas alguma coisa hão-de arranjar! Desta vez não uso expressões em holandês que aquela língua é demasiado estranha!
Ficam algumas frases para a história:

"Perdi o bilhete!"
"Povo, vocês não têm orientação nenhuma!"
"Foi dito, mas á posteriori!"
"Oh Vasco, isto mete-se na pila?!"

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Diminutivos

Já alguma vez se aperceberam que o uso de diminutivos pode mudar bastante o sentido das palavras?
Apesar de ter noção que a grande maioria das pessoas se preocupa com assuntos essenciais, como saber se o protagonista da novela das 21h vai trair a mulher, ou quem vai ser o próximo presidente do Benfica (assuntos aos quais atribuo o mesmo grau de importância), eu por outro lado não tenho muito com o que me preocupar, o que origina horas e horas de dissertações mentais sobre assuntos tão pertinentes quanto este.
Em termos gramaticais, um diminutivo é um grau de um substantivo e serve funções estilísticas bem definidas, formando-se acrescentando um sufixo que pode indicar afectividade ou pequenez, mantendo a categoria sintáctica da palavra base. Evidentemente que uma regra não seria regra sem as suas excepções, o que nos leva ao ponto fulcral deste texto, palavras em que o uso do diminutivo altera o seu significado.
Vejamos a palavra "coitado", usada normalmente, expressa um sentimento de pena por determinada pessoa, por alguma característica própria ou por um qualquer acontecimento negativo a que essa pessoa tenha sido sujeita, mas por norma é um sentimento verdadeiro. Já se pensarmos no seu diminutivo "coitadinho", chegamos à conclusão, e eu sempre ouvi dizer, "Coitadinho é corno!". Mas admito que este exemplo não é muito óbvio pois temos de considerar "corno" também como sendo uma característica pessoal ou um acontecimento negativo.
Temos também a palavra "anjo", que se for usada para descrever alguém, é um adjectivo positivo, "És um anjo de pessoa!". Por outro lado, se usarmos o diminutivo da mesma palavra o caso muda completamente de figura e torna-se depreciativo: "És um anjinho!", aludindo claramente ao lado mais ingénuo da pessoa (isto é puramente senso comum e não experiência própria obviamente).
Outra palavra que tem um significado claramente oposto apenas acrescentando um "inho", é a palavra "cheiro". Senão vejamos: "Que cheiro é este?" ou "Que cheirinho é este?". Se no segundo caso estamos a falar de algo agradável, no primeiro caso o mais provável é estarmos com os receptores olfactivos a ser violentamente atacados!
Outro caso muito comum que normalmente nem nos apercebemos, é a "casa" que se transforma apenas numa divisão: "casinha" (ok é um diminutivo mas não exageremos). Quando alguém diz "Vou para casa" está obviamente a despedir-se, já quando alguém diz "Vou à casinha, volto já", está apenas a partilhar informação inútil que eu dispenso.
Temos ainda dois exemplos, em que são gritantes as diferenças de significado, mas ao mesmo tempo elucidativos da minha enorme capacidade (ou falta dela) de escrever sobre assuntos importantes. Primeiro, quando retiramos o necessário, seja do que for, e nos resta alguma coisa, podemos dizer "A sobra está no lixo!" sem qualquer consequência, mas não digam "A sobrinha está no lixo!", principalmente se tiverem irmãos ou irmãs com filhas! Segundo, e por último, a palavra "leve", que tanto pode ser usada como uma conjugação do verbo levar, ou como um adjectivo referindo-se ao peso de algo ou mesmo à sua importância. Enquanto o uso do diminutivo, "levezinho", refere-se claramente à alcunha do avançado do Sporting de nome Liedson, que nunca mais se reforma ou pára de marcar golos! Mas tudo bem, a importância desse facto no quadro geral do campeonato nacional tem sido insignificante pelo que o adjectivo aceita-se perfeitamente!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Comparticipações

"Medicamentos para a infertilidade passam a ter comparticipação de 69 por cento" in Publico 29/04/2009

Foi publicado hoje em Diário da República um despacho que diz que a partir de 1 de Junho os medicamentos para casais em tratamentos de infertilidade passam a ter uma comparticipação do estado de 69%. É só impressão minha ou há-de haver muita gente na assembleia que sempre que ouve o número 69 se ri como um pre-adolescente?
Custa-me um pouco a acreditar na inocência deste valor, antes era 37%, o que significa que houve um aumento de 86,49% sobre o valor antigo. Isto leva-me a pensar, uma vez que não foi um aumento de 100%, 75% ou 50% na comparticipação, que foi alguém a dizer: "eh pah se temos que aumentar, vamos passar a comparticipar em 69%, hihihi!", o que originou uma risada geral e o despacho passou!
Não digo que não concorde, uma vez que Portugal é um país em envelhecimento é necessário fomentar a natalidade. Mas por isso mesmo, deveria ser um assunto levado mais a sério. A ironia deste valor parece-me bastante óbvia! E mesmo que tenha sido, de alguma forma que não estou a ver, um valor calculado inocentemente, só significa que não estão atentos porque deveriam ter antecipado este tipo de reacções e interpretações (que já está a haver, eu não serei o único com certeza). O que retira o justo protagonismo desta medida aos casais com problemas de fertilidade e ao investimento no aumento da natalidade no país.
Mas já estou a imaginar:
- "69% de comparticipação para medicamentos de infertilidade! hahaha"
- "Eh pah, mas isso não vai confundir as pessoas? Com "69s" a natalidade não vai aumentar de certeza! Quer dizer... acho eu! Assim não dá para ter bebés pois não?"
- "Não, mas aí é que está a piada! É irónico!"
- "Irónico? Aaaaah ok! Porreiro pah!"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Encontros imediatos

Há pessoas que, já em adultas, conseguem reconhecer alguém que já não viam desde a primária. Outras, como eu, lembram-se das caras que eram mais próximas no secundário, com sorte! Estou obviamente a falar daquelas amizades que se perderam e cujo contacto deixou de existir. Isto não significa que eu consumia drogas ou álcool em tenra idade não se assustem, apenas não consigo fazer essas associações de caras (já bastante diferentes, sendo já 20 anos de diferença que incluem toda a fase de crescimento de cada um), ou reconhecer aquelas expressões faciais ou pormenores que aparentemente se mantêm ao longo dos anos.
Mas a verdade é que acho engraçado como às vezes as pessoas reconhecem alguém nestas condições e apesar de todas as diferenças. Já aconteceu comigo e também com um tio meu, que por incrível que possa parecer, é verídico. Com 50 anos de idade, ele foi abordado na rua por alguém de quem tinha sido colega na primária e nunca mais tinha visto. Isto para mim é algo impressionante!
Normalmente, estas abordagens têm associadas um comentário final na ordem do "Eh pah tás igualzinho!". Já as reacções a este tipo de comentário, na minha opinião e por experiência própria, diferem conforme a fase da vida. Isto é, como devem imaginar a reacção do meu tio foi contar à família toda, cheio de orgulho, que com aquela idade ainda era reconhecido dos tempos de criança e que portanto ainda era um jovem! Já a minha reacção, penso que típica de alguém recém-chegado a idade adulta (já foi há uns anitos), foi oposta: "Igualzinho?!? Dass ainda tenho cara de criança queres ver??!"
Claro está que, em ambos os casos, uma pergunta óbvia que foi feita por quem estava a ouvir estas histórias foi: "Mas tu reconheceste a pessoa?". A resposta foi, em ambos os casos (deve ser de família): "Obviamente que não!". Sendo que no meu caso foi um pouco mais grave, já que uma semana ou 15 dias depois (grande coincidência), voltei a encontrar a pessoa em causa e, surpresa das surpresas, voltei a não me conseguir lembrar do nome da mesma. Se no primeiro "encontro imediato", esquivei-me ao "Então não sabes quem eu sou?" de uma forma relativamente fácil (e depois de explicada a ligação) com um breve sorriso e um "Ahhh és tu, já me lembro. Tás diferente!", no segundo encontro o sorriso cínico e reprovador após a frase "Não te lembras do meu nome outra vez pois não?" disse tudo. E como a vida tem destas coisas, agora que, por toda esta situação, tão cedo não me vou esquecer do nome em questão, não terei mais “encontros”. Ou então se isso acontecer, é sinal que já me esqueci outra vez!
Em minha defesa, a primeira vez que vi essa pessoa foi na queima das fitas, um evento que, apesar de extremamente rico em termos sociais e culturais, é forte causa de perdas momentâneas de memória para muito boa gente (e eu incluo-me nessa categoria de boa gente)!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Lições de vida

Recentemente contaram-me que um miúdo que conheço de 11 anos recebeu uma PS3 porque teve boas notas durante o ano. Há cerca de um ano esse mesmo rapaz disse-me que para prendas de aniversário e Natal só queria dinheiro porque estava a juntar para comprar essa mesma consola, na altura disse-lhe que ainda lhe iam faltar uns anitos mas pelos vistos enganei-me, os pais foram generosos (ainda bem para ele). Poderia aqui expor argumentos e lançar uma discussão sobre esse tipo de política de esforço/recompensa aplicada a crianças, mas não vou por aí, vou apenas falar de um episódio que esta situação me fez lembrar e que se passou comigo quando tinha 8 anos.
Uma professora que tinha na altura teve a brilhante ideia de introduzir na turma um sistema de pontos. Isto é, qualquer boa acção, como trabalhos de casa bem feitos, trabalhos extra ou bom comportamento, dava direito a um ponto verde (eram tracinhos num quadro). Por outro lado, o mau comportamento, faltas ou não fazer os trabalhos de casa davam direito a um ponto preto, ao fim de 3 pontos pretos era um ponto vermelho. O interesse deste sistema, segundo a professora, era fazer com que toda a turma se portasse bem porque no final haveria uma contabilização dos pontos e quem ganhasse receberia uma recompensa, uma surpresa no final do ano.
Nem vou comentar o facto deste sistema poder desenvolver um espírito de competitividade fora do normal em crianças de 8 anos ou ser apenas algo engraçado para se fazer, não é essa a questão. Mas eu, como gosto muito de surpresas e ouvi falar em recompensa, pus-me a pensar que queria ganhar a tal recompensa. Então passei o ano a fazer tudo que a professora mandava: fazia sempre os trabalhos de casa, trabalhos extra para ganhar mais créditos quando via que algum outro miúdo se estava a aproximar na tabela e portava-me sempre bem. Enfim, como devem imaginar foi um ano muito difícil para mim, mas aguentei-me firme na liderança até ao fim! No final do ano quando chegou o momento da contabilização dos pontos e entrega dos prémios, eu já estava em pulgas pois já sabia que tinha ganho, já nem queria saber de mais nada tal era a minha curiosidade em saber qual era o prémio! A professora chamou-me e lá fui eu até à secretária dela buscá-lo (e sim lembro-me de tudo isto pois foi uma experiência marcante como já vão perceber), quando finalmente tenho a grande surpresa nas mãos... era um poster!!!!
Ok era um poster "duplo", tinha frente e verso dava para escolher mas... era um poster!!! Nem sequer muito grande, era pouco maior que uma folha A4, apenas um simples poster que num dos lados tinha um cavalo branco. Mas para que é que um miúdo de 8 anos quer um poster com um cavalo branco perguntam vocês e muito bem!! Eu próprio me questionei sobre isso várias vezes enquanto olhava para o poster e para a professora e sorria com aquele sorriso forçado a dizer "Obrigado", só porque tinha mesmo de ser. Naquela altura podia-me ter dado uma bola de futebol que eu pulava de alegria, começava a jogar logo ali na sala e tudo!! Mas um poster?!?
Como já devem ter percebido foi algo que me marcou para o resto da vida e ainda hoje recordo esse dia com horror, um ano de esforço em vão, um ano perdido! Podem argumentar que independentemente de tudo isto, a verdade é que o sistema resultou pois o esforço e o bom comportamento já tinham sido feitos. Mas o problema é que quem sofreu com isso foram os professores do resto da minha vida académica, incluindo essa mesma professora no ano seguinte, que manteve o mesmo sistema e encheu-me de pontos pretos e vermelhos! "Ai não percebo, o ano passado não eras assim!", só não lhe respondia "Não me tivesses dado a merda dum poster!" porque com aquela idade era inocente e ainda não conhecia esses sentimentos e expressões tão nobres como a vingança, o sarcasmo e a ironia (para além de não dizer asneiras obviamente).
Mas de qualquer forma ainda consigo ter a clareza e a presença de espírito suficientes para perceber que aquela professora ensinou-me uma grande lição de vida, uma lição sobre a importância e o cuidado a ter numa educação baseada na motivação por meio de recompensas: "Não gosto de posters!"

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O que tu queres sei eu

Existe uma questão típica do género masculino que me intriga. Nunca percebi muito bem como é que qualquer homem consegue fazer qualquer tipo de comentários com intenções sexistas, machistas ou obscenas dizendo seja o que for, mesmo que não faça sentido, mesmo que não tenha nada a ver com o contexto e que se lhes for retirada aquela entoação típica dum comentário assim, seria simplesmente estúpido.
Vou-vos dar um exemplo de algo que se passou comigo recentemente. Entrei no elevador com alguém conhecido e a partilhar o mesmo espaço estava um casal ao qual eu estava perfeitamente alheio. Estava noutra dimensão, a pensar em algo muito importante para a humanidade com toda a certeza (algo normal em mim), e portanto nem me apercebi do que falavam. Quando finalmente chegamos ao nosso andar, eu e o meu colega saímos e após alguns passos diz-me ele:
- "A esta, eu é que não me importava de lhe tirar um bilhete!", usando a tal entoação.
- "Huh?!? Tás a falar de quê?", perguntei eu, já a desconfiar mas a tentar perceber a lógica da expressão.
Eu já não me lembro exactamente do contexto mas pelos vistos ela vinha a queixar-se de alguma situação em que "só queria tirar um bilhete". O meu colega depois de me explicar já se estava a rir, mas eu já pensava mas porquê tirar um bilhete? Se a intenção era essa, porquê não dizer "com esta eu não me importava de fazer o amor!"? Ou será que ele pensava que ela era o tipo de mulher que teria um rolo de senhas tipo talho no continente em que os homens poderiam tirar a senha e esperar pela sua vez? E se for esse o caso então não me agrada muito a ideia de estar com uma mulher assim, mas cada um sabe de si.
Foi então que comecei a pensar que realmente existe essa espécie de necessidade intrínseca ao nosso género de pegar em expressões banais e transformá-las em algo que se diz ao colega macho que está ao lado, faz-se aquele riso malandro e dá-se o toque com o cotovelo finalizando com um "Hein? Hein?". Claro que a resposta tem de ser sempre "Yah é bem boa!" senão arriscamo-nos a um "Qual é? És gay?". Mesmo que na altura estejamos completamente aluados e a pensar noutras coisas, como aconteceu no meu caso em que a resposta também foi essa, apesar de nem sequer ter reparado, o que implica que posso ter feito uma afirmação falsa sem saber.
Por isso é que eu acho que todos os homens (e algumas mulheres também) adoram e acham piada aquela expressão tornada famosa por um quarteto da TV: "O que tu queres sei eu!".
"Que frio! Precisava duma camisolinha" diz ela. "Eu dava-te a camisolinha! O que tu queres sei eu!", isto não faz qualquer sentido, mas dito com a entoação certa e alguma sensualidade até podia ter saído de um qualquer filme pornográfico. No mundo normal sem entoação nenhuma, e principalmente se for inverno, só faz o homem parecer estúpido. Até digo mais, mesmo se fosse um casal e ela até aceitasse esse tipo de conversas (nada contra), então ele está a chamar camisolinha ao seu sexo é? (estúpido na mesma)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Decisões

Alguma vez se aperceberam ou pararam para pensar que diariamente tomamos dezenas ou centenas de decisões? Toda a gente, todos os dias, toma decisões, sejam instintivas ou ponderadas, sejam importantes ou insignificantes. Como por exemplo "fico mais 10 minutos a dormir ou levanto-me já?" (neste dilema opto pela primeira opção várias vezes seguidas numa manhã).
Se pensarmos que a mais pequena decisão, que até nem sequer nos apercebemos que a tomamos como atravessar a rua no momento errado, pode ter uma influência decisiva na nossa vida. Então é fácil perceber as pessoas que acreditam piamente e inequivocamente no destino. Eu pessoalmente não acredito no destino, não da forma como normalmente se fala dele, sendo algo incontrolável que está destinado a acontecer e como que gere a nossa vida. Acredito mais no livre arbítrio, em construirmos o nosso próprio destino. De qualquer forma admito obviamente que existem sempre condicionantes e aspectos incontroláveis (como na teoria do caos mas isso fica para outro post), por isso acredito em coincidências, pequenas coincidências, grandes coincidências, coincidências cósmicas, se lhe querem chamar destino ou não, já é uma questão de semântica.
Mas eu por exemplo sofro todas as 6ª feiras com essas pequenas coincidências que fazem com que os números sorteados no euro milhões nunca são iguais aos que eu escolhi para a minha chave! E olhem que são pequenas decisões inconscientes escolher 5 números em 50 mais 2 em 9, mas o potencial impacto na minha vida é gigantesco!!
Há também aquele tipo de decisões erradas que as pessoas dizem ser inconscientes mas sabiam perfeitamente o que estavam a fazer como: "Eu nunca iria para a cama com outra, só aconteceu porque estava bêbado". Não é desculpa, se o álcool tem um efeito assim tão forte em vocês então não bebam! E mesmo isso acho que é tanga porque o álcool apenas desinibe (mas isso também pode ficar para outro post).
Mas por vezes também tomamos decisões que pensamos serem conscientes ou ponderadas, acabando mais tarde por chegar à conclusão que foram precipitadas ou que foram das piores decisões da nossa vida. Até podemos voltar atrás na decisão e tentar corrigir o erro, mas muitas vezes isso não é possível.
Por isso é que eu gostava de ter uma equipa de consultores constantemente comigo, de modo a podermos reunir e avaliar todos os cenários possíveis tendo em conta todas as variáveis controláveis ou incontroláveis antes de tomar qualquer decisão. Ou mesmo até numa conversa, fazer uma mini-reunião antes de qualquer interacção com outra pessoa. A isto penso que algumas pessoas chamam de consciência, ou como naqueles filmes estúpidos quando se vê alguém a pensar e aparecem a discutir um diabinho num ombro e um anjinho no outro. De qualquer forma se isto é verdade, penso que muitas vezes esse meu par está em greve, admito que talvez seja em protesto pela constante e massiva destruição de células cerebrais devido a excessos praticados quase todos os fim de semana pela administração central, ou seja EU!!
Daí eu precisar de um conselho de administração para às vezes não tomar decisões erradas ou falar sem pensar (algo raro claro). Imaginem estarem a falar com alguém e a meio da conversa "Só um momento voltamos já, vou reunir com a administração e ponderar sobre o assunto". Por isso é que se fosse um super-herói seria o Hiro! Já imaginaram poderem parar o tempo sempre que quisessem? Ou poderem ir ao futuro para ver os impactos das vossas decisões?
Teriam todo o tempo do mundo para reunir com a administração!